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Exaltação da Santa Cruz

Exaltação da Santa Cruz

Na Cruz, Cristo transformou a morte em vitória

Em 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz, uma das mais antigas celebrações cristãs ligadas à memória de Jerusalém. Suas raízes remontam ao século IV, quando, por iniciativa do imperador Constantino, foram dedicadas em Jerusalém as grandes basílicas construídas sobre os lugares associados à Paixão e à Ressurreição de Cristo. A solenidade da dedicação ocorreu em 335 e, naquela ocasião, a veneração da Cruz ocupou lugar central.

A tradição cristã relaciona também essa história a Santa Helena, mãe de Constantino, a quem é atribuído o encontro da Cruz de Cristo durante as escavações realizadas em Jerusalém. Embora muitos detalhes transmitidos posteriormente pertençam à tradição e não possam ser comprovados historicamente, fontes antigas, como o testemunho de São Cirilo de Jerusalém, confirmam a memória do encontro da Cruz no tempo de Constantino.

Com o passar dos séculos, a celebração deixou de recordar somente um acontecimento histórico. A Cruz passou a ser contemplada pela Igreja como sinal da vitória de Cristo. Aquilo que parecia instrumento de derrota tornou-se, pela Ressurreição, o lugar onde o amor de Deus se manifesta com força definitiva.

É justamente esse paradoxo que está no coração da festa: sofrimento e glória, morte e vida, humilhação e triunfo. O cristão não contempla a Cruz como um fim sem esperança, mas à luz do sepulcro vazio. O Crucificado é o Ressuscitado. Por isso, a Cruz se tornou o símbolo que resume a própria fé cristã.

O Papa Francisco recordou que a Igreja não exalta qualquer cruz, mas a Cruz de Jesus, porque nela o amor de Deus pela humanidade foi plenamente revelado. Aos olhos humanos, o Calvário poderia parecer fracasso; à luz da fé, porém, tornou-se vitória.

Essa certeza atravessou os séculos. A própria liturgia apresenta a Cruz como lugar de salvação e esperança, porque nela Cristo venceu a morte não pela força das armas, mas pela entrega de si mesmo.

Por isso, diante de um crucifixo, o cristão não é chamado apenas a contemplar o sofrimento. É chamado a reconhecer o amor que se entregou até o fim e a esperar a glória que nasce da Ressurreição.

A Cruz permanece erguida diante do mundo como um anúncio silencioso: a morte não teve a última palavra. Depois do Gólgota veio a manhã da Ressurreição.
Santa Cruz, sede a nossa salvação!

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral