Santo do Dia
Diocese de Petrópolis - "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho"
São Matias

São Matias

Na memória viva da Igreja permanece a figura serena de São Matias, homem de passos discretos, mas de fidelidade constante — daqueles que não buscam destaque, mas que se mantêm firmes quando a fidelidade é provada pelo tempo.

Antes mesmo que seu nome fosse pronunciado entre os Doze, Matias já caminhava pelas estradas poeirentas da Judeia, misturado ao grupo dos discípulos que seguiam o Mestre. Ele estava entre aqueles que ouviram as primeiras palavras de esperança às margens do Rio Jordão, quando o batismo pregado por João Batista chamava os corações à conversão.

Desde o início da vida pública de Jesus Cristo, Matias permaneceu próximo, atento aos ensinamentos que brotavam dos lábios do Mestre como água viva. Ele testemunhou milagres que desafiavam a razão humana, ouviu parábolas que revelavam mistérios eternos e viu multidões reunirem-se em busca de consolo e verdade.

Mas foi sobretudo nos dias de provação que sua fidelidade se revelou mais sólida.

Quando o Mestre foi arrebatado aos olhos dos discípulos, deixando-os envoltos em silêncio e esperança, o pequeno grupo permaneceu reunido, aguardando o cumprimento das promessas divinas. Era um tempo de expectativa e oração, marcado também pela dor da ausência deixada por Judas Iscariotes, cuja defecção abrira uma ferida no círculo dos Doze.

Foi então que surgiu a necessidade de recompor o número dos apóstolos.

No primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos, encontra-se narrado esse momento decisivo. Entre os discípulos reunidos, ergueu-se a voz firme de São Pedro, que propôs seguir um método antigo, já conhecido desde os tempos do povo de Israel: confiar ao próprio Deus a escolha por meio do sorteio.

Mas antes que qualquer decisão fosse tomada, estabeleceu-se uma condição clara.

O escolhido deveria ser alguém que tivesse acompanhado Jesus durante todo o tempo de sua vida pública — desde os dias do batismo de João até o momento em que o Senhor fora elevado aos céus. Precisava ser testemunha viva da Ressurreição, alguém que não apenas ouvira falar, mas que vira com os próprios olhos a vitória da vida sobre a morte.

Entre os discípulos que preenchiam tais requisitos, dois nomes foram apresentados: José, cognominado o Justo, e Matias. Ambos eram dignos, ambos fiéis, ambos preparados para a missão que exigiria coragem e perseverança.

Antes de lançar as sortes, os apóstolos elevaram uma prece sincera ao Céu:

— Senhor, mostra-nos qual destes escolheste.

O ambiente estava envolto em profundo recolhimento, como se o próprio tempo tivesse suspendido seu curso. E quando a sorte foi finalmente lançada, o resultado revelou o nome daquele que haveria de completar o colégio apostólico.

A escolha recaiu sobre Matias.

Assim, aquele discípulo fiel passou a ocupar o lugar deixado vazio, integrando-se ao grupo dos Doze que permaneciam reunidos à espera de um novo derramamento de graça — o acontecimento que ficaria conhecido como o Pentecostes.

Quando o Espírito Santo desceu sobre eles, dando-lhes força e coragem, teve início uma nova etapa para todos — e também para Matias. A missão que se abria diante deles era vasta: anunciar o Evangelho e levar a mensagem de Cristo a todos os que ainda não a conheciam.

Para Matias, essa missão começou nas terras da Judeia, onde passou a proclamar a Boa Nova com o mesmo fervor que sustentara sua caminhada desde os primeiros dias ao lado do Mestre.

Depois disso, as Escrituras silenciam. Não há relatos detalhados sobre os caminhos que percorreu, nem sobre os lugares onde anunciou a Palavra. Sua história, a partir desse ponto, permanece envolta em sombras discretas, como muitas vidas que servem fielmente sem deixar registros abundantes.

Entretanto, a tradição preservou uma imagem simbólica que atravessou os séculos: a figura de um ancião que segura uma alabarda — instrumento que passou a ser associado ao seu possível martírio. Ainda assim, não há certeza histórica de que tenha morrido como mártir, assim como não se pode afirmar com absoluta segurança que tenha falecido em Jerusalém, nem que suas relíquias tenham sido levadas por Santa Helena até Tréveris, onde uma antiga abadia guarda seu nome.

Ainda assim, permanece clara a essência de sua história.

São Matias representa o discípulo perseverante — aquele que permanece fiel mesmo quando não é visto, que continua caminhando quando outros se afastam, e que se mantém disponível quando Deus chama.

Seu nome entrou para a história não por um gesto espetacular, mas por uma vida inteira vivida na constância. Ele foi escolhido não por acaso, mas por fidelidade comprovada ao longo dos anos — fidelidade silenciosa, paciente e firme, como raiz que sustenta a árvore sem jamais aparecer.

E assim, ao recordar São Matias, recorda-se também que, muitas vezes, os maiores chamados nascem da perseverança discreta — daquela que se constrói dia após dia, na fidelidade às pequenas coisas, até que chega o momento em que o próprio Céu pronuncia o nome do escolhido.
São Matias, rogai por nós!

Reflexão

Hoje celebramos a vida de um apóstolo que recebeu a incumbência de ocupar o lugar daquele que foi o traidor da causa de Jesus. São Matias esteve ao lado de Jesus e ouviu dele os ensinamentos do Reino. Aprendeu a cuidar do próximo e a ser solidário com os mais abandonados. Aprendamos dele o zelo pelo Evangelho e o espírito missionário que nos leva a testemunhar o Cristo Jesus.

Oração

Concedei-nos, Ó Senhor do mundo, a fé inabalável dos primeiros apóstolos, e pela intercessão de São Matias, alcançar a Graça que tanto necessito. São Matias, rogai por nós.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional