Santo do Dia
Diocese de Petrópolis - "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho"
Santos Cornélio e Cipriano

Santos Cornélio e Cipriano

Unidos pela verdade até o fim

Em 16 de setembro, a Igreja celebra a memória de São Cornélio, Papa e mártir, e São Cipriano, Bispo e mártir, dois homens que viveram em uma das épocas mais turbulentas do cristianismo antigo. Embora separados por cinco anos entre suas mortes, suas vidas permaneceram profundamente unidas pela defesa da unidade da Igreja, pela fidelidade ao Evangelho e pela coragem diante das perseguições.

A história de ambos está ligada também à difícil questão dos lapsos, cristãos que, durante as perseguições, haviam renunciado à fé ou cedido às exigências das autoridades romanas e depois desejavam retornar à comunidade. O problema provocou intensos debates sobre a misericórdia, a penitência e os limites da reconciliação.

São Cornélio, o Papa que defendeu a unidade
Cornélio tornou-se Bispo de Roma em 251, depois de um período de aproximadamente um ano e meio em que a Igreja romana permanecera sem um novo bispo, em consequência da perseguição de Décio. Sua eleição, porém, imediatamente encontrou oposição.

O sacerdote Novaciano recusou-se a reconhecer Cornélio e acabou formando um cisma. Defendia uma posição rigorosa em relação aos cristãos que haviam renegado a fé durante a perseguição, enquanto Cornélio sustentava, em comunhão com outros bispos, a possibilidade de reconciliação dos penitentes. O Bispo de Cartago, Cipriano, tornou-se um importante aliado do Papa nessa questão.

A controvérsia não era apenas uma disputa de autoridade. Por trás dela estava uma questão que continuaria a acompanhar a Igreja pelos séculos: como acolher aquele que caiu e, arrependido, deseja voltar?

Cornélio procurou preservar simultaneamente a verdade da fé e a possibilidade da reconciliação. Seu pontificado, entretanto, durou pouco. Durante a perseguição promovida pelo imperador Galo, foi enviado ao exílio em Centumcellae, atual Civitavecchia, onde morreu em 253. Seu corpo foi levado para Roma e sepultado no cemitério de Calisto. A região de sua sepultura ainda é conhecida como a área do Papa São Cornélio nas catacumbas.

São Cipriano, o convertido que se tornou pastor
Cerca de três décadas mais velho que Cornélio, Cipriano nasceu em Cartago, por volta do ano 210, em uma família pagã e abastada. Tornou-se um conhecido professor de retórica e advogado, desfrutando de prestígio intelectual antes de encontrar o cristianismo.

Sua conversão aconteceu por volta de 246 e transformou profundamente sua existência. O próprio Cipriano descreveu posteriormente essa mudança como um verdadeiro renascimento interior: aquilo que antes parecia suficiente já não preenchia sua vida. Pouco depois de sua conversão, foi ordenado sacerdote e, em seguida, escolhido Bispo de Cartago.

Como bispo, encontrou uma Igreja submetida a enormes desafios. A perseguição de Décio havia provocado medo, deserções e divisões. Muitos cristãos haviam cedido às pressões do Império; outros permaneciam inflexíveis e recusavam qualquer possibilidade de readmissão dos que tinham caído.

Cipriano procurou conduzir sua comunidade entre a justiça e a misericórdia. Em 252, reuniu um concílio em Cartago para enfrentar o cisma e reforçar a comunhão com Roma. Nessa mesma época, uma violenta epidemia assolava o norte da África, trazendo ainda mais sofrimento à população. O bispo incentivou os cristãos a responderem à calamidade não com medo ou indiferença, mas com caridade.

Sua produção literária também deixou uma marca profunda na tradição cristã. Cipriano escreveu numerosas cartas e tratados sobre a unidade da Igreja, a oração, a penitência e a vida cristã. Seu pensamento ajudou a consolidar uma convicção que atravessaria os séculos: a fé cristã não é vivida isoladamente, mas em comunhão com a Igreja.

Quando a perseguição de Valeriano começou, em 257, Cipriano foi exilado. No ano seguinte, retornou a Cartago e acabou preso. Conduzido diante das autoridades, recusou-se a negar sua fé.

As atas de seu julgamento conservaram o relato de seu processo e de sua execução. Ao ouvir a sentença de morte, Cipriano respondeu com uma breve expressão que resume a serenidade de quem havia entregue a própria vida a Deus: “Graças a Deus!” Em 14 de setembro de 258, foi decapitado.

Cornélio havia morrido cinco anos antes. Portanto, embora a Igreja celebre os dois juntos, eles não foram martirizados no mesmo dia. A união de suas memórias nasceu sobretudo da profunda ligação espiritual e eclesial entre o Papa de Roma e o Bispo de Cartago.

Séculos depois, continuam apresentados lado a lado como testemunhas de uma verdade que defenderam em tempos de medo: a fidelidade a Cristo não elimina as provações, mas dá ao cristão força para atravessá-las.

Cornélio enfrentou o exílio. Cipriano enfrentou o julgamento. Um morreu longe de Roma; o outro entregou a vida em sua própria cidade. Ambos, porém, permaneceram unidos à Igreja e ao Evangelho.

E talvez seja justamente essa a força de sua amizade espiritual: a perseguição conseguiu separar seus caminhos, mas jamais separou sua fé.
Santos Cornélio e Cipriano, rogai por nós!

Reflexão

A igreja é alimentada continuamente pelo Espírito Santo, força que garante a autoridade da Igreja como proclamadora da palavra do Cristo. Mas o lado humano da Igreja as vezes fala mais alto. Discussões, lutas pelo poder, acusações são parte da rica história da nossa Igreja. Hoje, celebrando São Cornélio, nós percebemos que a injustiça acaba destruindo as relações amigaveis na Igreja. Rezemos para que encontremos o melhor caminho de viver a fé e que a Igreja converta-se continuamente ao nome de Jesus.

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, quiseste que São Cornélio governasse todo o vosso povo, servindo-o pela palavra e pelo exemplo. Guardai, por suas preces, os pastores de vossa Igreja e as ovelhas a eles confiadas, guiando-os no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Pesquisa e Texto: Equipe PASCOM Catedral
Reflexão e Oração: A12 Santuário Nacional